terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Vitória da Vida

Meus irmãos:

Sou eu que volta sob a proteção da Divina Misericórdia.

A vida triunfa sobre a morte, e, há 40 dias desde o momento final no corpo, o amor incondicional do Pai prossegue socorrendo-me de modo que neste momento eu possa dizer com o coração túmido de saudade mas com o Espírito exultante: estou vivo!

Tenho orado com fervor aguardando este momento de reencontro para agradecer a Deus a felicidade incomparável da longa existência aureolada de bênçãos que reconheço não merecer.

Nossa Benfeitora trouxe-me hoje, às vésperas do encerramento do ano, para agradecer tudo quanto recebi durante a existência e, particularmente, nos dois últimos anos de impedimento e de limitação.

De alma ajoelhada agradeço o devotamento, o respeito, o carinho de que fui objeto, mais especialmente a vigília dos filhos, de Gerulina, das cuidadoras e a paciência dos irmãos da Casa Grande, que não se enfastiaram com o meu demorado processo de libertação.

Agradeço as homenagens que me foram oferecidas, as condolências, as lembranças, todo este colar de bondosas referências que não condizem com a minha existência humilde, sempre em plano secundário, de trabalhador braçal que sempre me considerei...

Desejo registrar as emoções profundas, falar das alegrias incontáveis do reencontro com os seres queridos, alguns dos quais de saudosas recordações.

Agradeço a todos que não me atrevo a nomear, que usaram de misericórdia para com o velho amigo causador de problemas... Que me perdoem os erros que não pude superar, as imperfeições que não consegui corrigir e a pequenez que não pude transformar em grandeza moral.

Comovo-me com as saudades daqueles que me amam e suplico que sejam felizes.

Suplico a Deus que transforme nossa Casa de amor num santuário de misericórdia, porque tudo passa mas o amor permanece.

Ninguém nunca se arrependerá por ter agido com misericórdia, compaixão e amor.

Que o nosso ninho de esperança permaneça como o lar dos que não têm abrigo, a estância, última que seja, para o repouso, na certeza de que, aqui entre nós de ambos os lados, Jesus estará de braços abertos dizendo com suavidade: Vem, meu filho, este lar é teu!

Perdoem-me as emoções. É a primeira experiência. Embora preparando-me para este momento, a mente desatrela o corcel das lembranças, das saudades, da gratidão...

Eu suplico que as preces continuem envolvendo-me para que eu possa corresponder às expectativas dos corações que me amam.

Paz e misericórdia, gratidão profunda e súplica em favor de todos os que sofrem.

O velho companheiro agradecido,

Nilson

(Mensagem psicofônica pelo médium Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica do Centro Espírita Caminho da Redenção, na noite de 30 de dezembro de 2013, em Salvador, Bahia.)

domingo, 22 de dezembro de 2013

Um Cordel de Natal


domingo, 15 de dezembro de 2013

domingo, 24 de novembro de 2013

O Dharma e a Consciência

“Define-se Dharma como Ação-Correta, Retidão. Este não é o significado mais apropriado. Dharma, por si só, é a verdade. Assim, o que nasce da Verdade é Dharma.

Para o fogo, a capacidade de queimar é Dharma. Quando este não pode queimar, não pode ser fogo: torna-se apenas carvão. O Dharma do açúcar é a sua doçura. Se não há doçura, não pode ser açúcar, mas apenas pó.

Assim, se nós não manifestarmos nossa consciência, não seremos Dharma. Devemos, em tudo, seguir nossa consciência. Existem dois tipos de Dharma: um é o Dharma mundano, e o outro é o que se origina da divindade.

Seguir a Vontade Divina é o verdadeiro Dharma. Em tudo, a pureza do coração é importante. O primeiro passo é: o que ensinamos aos outros, devemos praticar. Esta é a verdadeira natureza humana. Qual é a razão para que Sathya(Verdade), Dharma (Retidão), Shanti (Paz), Prema (Amor) e Ahimsa (Não-violência) não estejam sendo preservados atualmente? A propagação e a publicidade destes valores está sendo feita, sem que os mesmos estejam sendo praticados.

Vocês devem mostrar, pelo falar e pelo exemplo, que o caminho da auto-realização é o que conduz à alegria perfeita. Consequentemente, sobre vocês repousa grande responsabilidade: a de demonstrar por sua calma, serenidade, humildade, pureza e virtude, coragem e convicção em todas as circunstâncias, que o caminho por vocês percorrido os tornou pessoas melhores, mais felizes e mais úteis. Pratiquem. Demonstrem.”

Sri Sathya Sai Bal Vikas - Maio/94
Editado pelo S.S.S. Education in Human Values Trust - Bombay

domingo, 10 de novembro de 2013

Samurai da Paz

Paz não é ausência de conflito, bem sabemos. O seu oposto é estagnação, como indica a sabedoria perene do I Ching, da tradição chinesa. Assim, paz é a presença de movimento, é o triunfo do processo, é ser capaz de se ancorar no Agora transtemporal, dádiva e dom do Instante.

Samurai significa servidor da paz. A diferença entre Gandhi e Hitler é que o último lutou pela sua autoglorificação. Enquanto o Mahatma lutou por tudo e todos, pelo Ser. Abrir-se e disponibilizar-se para o bom combate, ser ativista da paz, eis o imperioso desafio!

Chouraqui traduziu o termo bem-aventurança, a partir do hebraísmo autêntico, pela expressão inspiradora, Em marcha! Em marcha os humildes, os ternos, os justos, os artesãos da paz! Como dizem os bons navegantes, o único naufrágio é não partir. A maior desgraça é a pretensão de que chegamos, de que sabemos. Trata-se de evoluir da arrogância do suposto saber para a elegância do buscar...

Rumi e Nietzche indicavam a travessia evolutiva através de três símbolos: o do camelo, o do leão e o da criança. Nas trilhas iniciáticas, principiamos pelo camelo, o que sabe ajoelhar-se e possui a dignidade de colocar-se a caminho, na travessia do deserto das ilusões. Esta é a etapa da busca. O leão da realeza brota na fase do encontrar, com o seu rugido de destemor e de inteireza. Finalmente, a criança representa o poder invencível da Inocência, nosso semblante de eternidade, do Sim original.

No hebraico, a expressão Shalôm, que significa paz, e Shalem, inteireza, convergem. A paz, portanto, é uma expressão natural da consciência de inteireza. Tudo que é inteiro é pacífico, é belo, é saudável, é sagrado. Eis a importância imprescindível de uma abordagem holística na proposta de uma educação para a paz e não-violência!

Que armas? Segundo a sabedoria crística, é necessário oferecer a outra face. Quando num contexto hostil, o animal tem duas reações instintivas: atacar, com fúria, ou fugir, com medo. Esta é a atitude dominante no palco triste onde se desenrola o drama trágico de uma humanidade normótica, subhumana. A outra face é a humana: a face da consciência, da responsabilidade, da transparência, do amor compassivo. Eis as armas de Luz, que triunfam no Apocalipse de João. Apocalipse de Jesus Cristo significa, literalmente, revelação ou desvelamento de Jesus Cristo, do arquétipo supremo de integração dos opostos e de síntese, no interior de cada um de nós.

Quando estive, no início deste ano de 2005, na Turquia, fiquei muito tocado com as paisagens da Capadócia. Em suas montanhas, formadas de lavas de antigos vulcões, encontram-se centenas de igrejas, cavadas no segredo das rochas. Em todas elas podemos contemplar os ícones complementares do Arcanjo Miguel e de São Jorge. Com suas espadas luminosas, temperadas no aço do discernimento e das virtudes irmanadas da justiça e da misericórdia. Arquétipos do Samurai da Paz, que lutam, destemidamente, nos nossos infernos interiores e exteriores, contra o dragão do ego, da egolatria. Como esclarece o mitologema de São Jorge, não se trata de destruir o Diabolos, o ego da discórdia e da separatividade. A tarefa, bem menos fácil, é a de cativá-lo, para que as suas forças estejam a serviço da causa do bom, do belo e do bem. 

As artes marciais surgiram em templos, com o objetivo nobre não de vencer o outro. A meta é vencer a si mesmo, submetendo e orientando as forças do ego pelas luzes do Self. Como em todo processo iniciático de individuação. Bu-Jutsu, em japonês: a arte do bom combate, de deter a lança da perversidade do inimigo, interior e exterior. Ieshiba-sam, criador do Aikido, o definia como o zen budismo em movimento, onde todos os gestos partem do hara, direcionando-se ao Infinito. O sábio sempre vence porque jamais luta – a luta normótica e vã. Como o wu wei do taoismo, que significa fazer pelo não fazer há uma arte de lutar pelo não lutar...

Como rezava o samurai da poesia sublime, Rabindranath Tagore: Doravante nada mais temerei neste mundo e Tu conquistarás a vitória em todas as minhas batalhas. Deste-me a morte por companheira e hei de coroá-la com a minha própria vida. Tua espada encontra-se comigo, para cortar as minhas amarras e nada mais temerei neste mundo.

Neste tempo numinoso, de horrores, tremores e louvores no Parto de uma Nova Consciência, é consolador constatar que são os arquétipos gloriosos da Grande Mãe, da Criança Divina e dos Anciãos dos Dias que ditarão a palavra final, entoando um só Aleluia, louvor ao Ser que É. Assim sendo, em marcha! Bom combate! Sem se esquecer de sorrir e de se divertir entre um golpe e outro...

Autor: Roberto Crema

domingo, 3 de novembro de 2013

O bem que faz bem

Nestes dias afligentes de consumismo exagerado e de objetivos nem sempre relevantes, vale a pena uma reflexão em torno do sentido psicológico da existência humana, Jesus, na sua condição de psicoterapeuta extraordinário, falou-nos de dois caminhos que conduzem à felicidade.

O primeiro, manifesta-se parabolicamente como a "porta larga" das facilidades humanas, que se encarrega de conduzir ao ápice do glamour, do sexo, do poder, facultando o desfrutar de todos os possíveis prazeres. O segundo, está no símbolo da "porta estreita", que é constituído de introspecção para entender a finalidade da jornada terrestre, utilizando-se do amor ao próximo e do compromisso de semente fazer aquilo que gostaria que lhe fosse feito.

Como consequência estabelece que e primeiro, embora encantador, é cheio de incertezas, frustrações, desencantos e desdita, isto quando não ocorre a saturação o vazio existencial. Portanto, essa é uma porta falsa, ilusória, que leva ao desar. O segundo, caracterizado pelos valores ético-morais de renúncia e de bondade, de abnegação e serviço fraternal, enriquece o ser, que desfruta de saúde e de bem-estar, assinalando o transcurso carnal com alegria inefável de viver.

Chamemo-los, numa linguagem moderna, como satisfação dos instintos, de sabor momentâneo e fugaz, aquele pelo qual se atravessa pela porta larga, enquanto, o outro, o da porta estreita, é rico de experiências iluminativas, de enternecimento e de vitórias sobre as paixões primárias em predomínio perturbador. Poderemos demostrar essa assertiva no trabalho que vem sendo realizado pelo Centro Espírita Caminho da Redenção, seus fundadores e dedicados servidores, criado no dia 7 de setembro de 1947.

Após 66 anos de atividades beneficentes, tem liberado do crime, da loucura, da degradação mais de uma centena de milhar de vidas que lhe buscaram o apoio, ansiosos pela própria cidadania. Parabenizamos todos aqueles que se entregam à construção do bem que sempre faz bem.

Autor: Divaldo Franco

domingo, 20 de outubro de 2013

Características de uma Experiência Cósmica

De acordo com Pierre Weil "O termo ‘experiência cósmica’ traduz uma experiência em que determinadas pessoas percebem a unidade do Cosmos, se percebem dentro dela (e não fora, como muitos poderiam imaginar); a experiência é acompanhada de sentimentos de profunda paz, plenitude, amor a todos os seres. Compreende-se, de um relance, o funcionamento e a razão de ser dos universos, a relatividade das três dimensões do tempo e do espaço, a insignificância e a ilusão do mundo em que vivemos, os erros monumentais cometidos por muitos seres humanos; uma iluminação acompanha muitas destas percepções. A morte é vista apenas como uma passagem para outra espécie de existência e o medo dela desaparece totalmente. A Experiência Cósmica pode ser, e é em geral, o resultado de uma longa e lenta evolução; às vezes, no entanto, ela constitui o início de uma profunda transformação no sentido dos valores mais elevados da humanidade; neste último caso ela acontece em momento inesperado".

Na concepção de Weil, as principais características de uma experiência cósmica são:

Unidade: é o desaparecimento da percepção dual Eu-Mundo.

Inefabilidade: a experiência não pode ser descrita com a semântica usual.

Caráter noético: um senso absoluto de que o que é vivido é real, às vezes muito mais real do que a vivência cotidiana comum.

Transcendência do espaço-tempo: as pessoas entram numa outra dimensão; o tempo não existe mais e o espaço tridimensional desaparece.

Sentido de sagrado: o senso de que algo grande, respeitável e sagrado está acontecendo. Desaparecimento do medo da morte: a vida é percebida como eterna, mesmo se a existência física é transitória.

Mudança do sistema de valores e de comportamento: muitas pessoas mudam seus valores no sentido dos valores B de Maslow (Beleza, Verdade, Bondade, etc), há uma substituição progressiva dos valores ditos materiais e do apego ao dinheiro. O “Ser” substitui o “Ter”.

Maribel Barreto; A Consciência Significa sem significar. Disponível em: www.maribelbarreto.com

domingo, 13 de outubro de 2013

Anjos Guardiães

Os anjos guardiães são embaixadores de Deus, mantendo acesa a chama da fé nos corações e auxiliando os enfraquecidos na luta terrestre.

Quais estrelas formosas, iluminam as noites das almas e atendem-lhes as necessidades com unção e devotamento inigualáveis.

Perseveram ao lado dos seus tutelados em toda circunstância, jamais se impacientando ou os abandonando, mesmo quando eles, em desequilíbrio, vociferam e atiram-se aos despenhadeiros da alucinação.

Vigilantes, utilizam-se de cada ensejo para instruir e educar, orientando com segurança na marcha de ascensão.

Envolvem os pupilos em ternura incomum, mas não anuem com seus erros, admoestando com severidade quando necessário, a fim de lhes criarem hábitos saudáveis e conduta moral correta.

São sábios e evoluídos, encontrando-se em perfeita sintonia com o pensamento divino, que buscam transmitir, de modo que as criaturas se integrem psiquicamente na harmonia geral que vige no Cosmo.

Trabalham infatigavelmente pelo Bem, no qual confiam com absoluta fidelidade, infundindo coragem àqueles que protegem, mantendo a assistência em qualquer circunstância, na glória ou no fracasso, nos momentos de elevação moral e naqueloutros de perturbação e vulgaridade.

Nunca censuram, porque a sua é a missão de edificar as almas no amor, preservando o livre-arbítrio de cada uma, levantando-as após a queda, e permanecendo leais até que alcancem a meta da sua evolução.

Os anjos guardiães são lições vivas de amor, que nunca se cansam, porquanto aplicam milênios do tempo terrestre auxiliando aqueles que lhes são confiados, sem se imporem nem lhes entorpecerem a liberdade de escolha.

Constituem a casta dos Espíritos Nobres que cooperam para o progresso da humanidade e da Terra, trabalhando com afinco para alcançar as metas que anelam.

Cada criatura, no mundo, encontra-se vinculada a um anjo guardião, em quem pode e deve buscar inspiração, auscultando-o e deixando-se por ele conduzir em nome da Consciência Cósmica.

Tem cuidado para que te não afastes psiquicamente do teu anjo guardião.

Ele jamais se aparta do seu protegido, mas este, por presunção ou ignorância, rompe os laços de ligação emocional e mental, debandando da rota libertadora.

Quando erres e experimentes a solidão, refaze o passo e busca-o pelo pensamento em oração, partindo de imediato para a ação edificante.

Quando alcances as cumeadas do êxito, recorda-o, feliz com o teu sucesso, no entanto preservando-te do orgulho, dos perigos das facilidades terrestres.

Na enfermidade, procura ouvi-lo interiormente sugerindo-te bom ânimo e equilíbrio.

Na saúde, mantém o intercâmbio, canalizando tuas forças para as atividades enobrecedoras.

Muitas vezes sentirás a tentação de desvairar, mudando de rumo. Mantém-te atento e supera a maléfica inspiração.

O teu anjo guardião não poderá impedir que os Espíritos perturbadores se acerquem de ti, especialmente se atraídos pelos teus pensamentos e atos, em razão do teu passado, ou invejando as tuas realizações... Todavia te induzirão ao amor, a fim de que te eleves e os ajudes, afastando-os do mal em que se comprazem.

O teu anjo guardião é o teu mestre e amigo mais próximo.

Imana-te a ele.

Entre eles, os anjos guardiães e Deus, encontra-se Jesus, o Guia perfeito da humanidade.

Medita nas Suas lições e busca seguir-Lhe as diretrizes, a fim de que o teu anjo guardião te conduza ao aprisco que Jesus levará ao Pai Amoroso.

Joanna de Ângelis e Divaldo Franco.
Da obra: Momentos Enriquecedores.

domingo, 22 de setembro de 2013

Perdoai

Façamos uma reflexão em torno dos objetivos essenciais da nossa existência na Terra, perguntando de maneira profunda e significativa: que queres que eu faça, Senhor?

Quando Ele apareceu às portas de Damasco ao inimigo, a sua pergunta foi caracterizada pela ternura: Saulo, Saulo, porque me persegues?

Quantas vezes estaremos repetindo essa mesma pergunta porque a dor agasalhou-se em nosso coração, porque o sofrimento tomou conta do país da nossa alma.

Saulo, no entanto, teve a sabedoria de contra-interrogar ao Senhor.

Era o servo que encontrava seu amo, o escravo que encontrava o seu Senhor.

Que queres que eu faça?

Ele respondeu: vá a Damasco e ali te dirão o que deves fazer.

Damasco, filhos da alma, é a província da nossa consciência.

Sigamos em direção da nossa consciência e descubramos o que nos é lícito fazer, diante dos desafios que se encontram à nossa frente.

Jesus veio para que tivéssemos vida e vida em abundância.

E nos ofereceu em holocausto a Sua vida.

Não temas aquele que permanece no mal.

Não vos pode fazer mal algum, se não aceitardes o desafio do seu atrevimento.

Com Jesus aprendei a permanecer no bem.

A dor que a todos nos assalta é nada mais do que um acidente de percurso induzindo-nos ao amadurecimento espiritual.

Sem qualquer masoquismo, bendigamos a dor libertadora que demonstra a fragilidade do corpo no qual estais e a debilidade das forças morais que a todos nos caracteriza.

Somos da Divina Luz gerados.

Permitamos que o Deus interno expanda-se e consiga vencer todas as trevas.

Ide e amai!

Parti daqui com a alma referta de esperança e perdoai! Mesmo àquele que parece não ser credor do perdão, perdoai, porque a vós fará bem.

A Justiça Divina, a seu modo e termo, realizará a retificação do infrator. Mas a vós, a nós, cabe perdoar sempre e incessantemente.

Os espíritos espíritas que aqui se encontram em nome da brasilidade espiritual, enternecidos, distribuem energias saudáveis por sobre todos vós que nos ouvistes onde quer que estejais e que acompanhais este momento de clausura de mais uma etapa que oferece iluminação para as consciências saírem daqui modificadas pelo Espírito do Cristo, vós que tendes a honra e a glória de conhecer Jesus.

E quando alguma noite vos parecer excessivamente tempestuosa, buscai a Estrela de primeira grandeza que é Jesus e segui o seu rumo, para que no término Ele passe a viver em vós.

Muita paz, filhos da alma!

São os votos do servidor humílimo e paternal de sempre,
Bezerra.
Muita paz.

(Mensagem psicofônica do espírito de Bezerra de Menezes através do médium Divaldo Pereira Franco no encerramento da 60ª Semana Espírita de Vitória da Conquista/BA em 08/09/2013)

domingo, 15 de setembro de 2013

Não canse quem te quer bem...

Ah, se conseguíssemos manter sob controle nosso ímpeto de apoquentar. Mas não. Uns mais, outros menos, todos passam do limite na arte de encher os tubos. Ou contando uma história que não acaba nunca, ou pior: contando uma história que não acaba nunca cujos protagonistas ninguém jamais ouviu falar.

Deveria ser crime inafiançável ficar contando longos casos sobre gente que não conhecemos e por quem não temos o menor interesse. Se for história de doença, então, cadeira elétrica.

Não canse quem te quer bem. Evite repetir sempre a mesma queixa. Desabafar com amigos, ok. Pedir conselho, ok também, é uma demonstração de carinho e confiança. Agora, ficar anos alugando os ouvidos alheios com as mesmas reclamações, dá licença. Troque o disco. Seus amigos gostam tanto de você, merecem saber que você é capaz de diversificar suas lamúrias.

Não canse quem te quer bem. Garçons foram treinados para te querer bem. Então não peça para trocar todos os ingredientes do risoto que você solicitou – escolha uma pizza e fim.

Seu namorado te quer muito bem. Não o obrigue a esperar pelos 20 vestidos que você vai experimentar antes de sair – pense antes no que vai usar. E discutir a relação, só uma vez por ano, se não houver outra saída.

Sua namorada também te quer muito bem. Não a amole pedindo para ela explicar de onde conhece aquele rapaz que cumprimentou na saída do cinema. Ciúme toda hora, por qualquer bobagem, é esgotante.

Não canse quem te quer bem. Não peça dinheiro emprestado pra quem vai ficar constrangido em negar.

Não exija uma dedicatória especial só porque você é parente do autor do livro. E não exagere ao mostrar fotografias. Se o local que você visitou é realmente incrível, mostre três, quatro no máximo. Na verdade, fotografia a gente só mostra pra mãe e para aqueles que também aparecem na foto.

Não canse quem te quer bem. Não faça seus filhos demonstrarem dotes artísticos (cantar, dançar, tocar violão) na frente das visitas. Por amor a eles e pelas visitas.

Implicâncias quase sempre são demonstrações de afeto. Você não implica com quem te esnoba, apenas com quem possui laços fraternos. Se um amigo é barrigudo, será sobre a barriga dele que faremos piada. Se temos uma amiga que sempre chega atrasada, o atraso dela será brindado com sarcasmo. Se nosso filho é cabeludo, “quando é que tu vai cortar esse cabelo, garoto?” será a pergunta que faremos de segunda a domingo. Implicar é uma maneira de confirmar a intimidade. Mas os íntimos poderiam se elogiar, pra variar.

Não canse quem te quer bem. Se não consegue resistir a dar uma chateada, seja mala com pessoas que não te conhecem. Só esses poderão se afastar, cortar o assunto, te dar um chega pra lá. Quem te quer bem vai te ouvir até o fim e ainda vai fazer de conta que está se divertindo. Coitado. Prive-o desse infortúnio. Ele não tem culpa de gostar de você.”

Texto de Martha Medeiros

domingo, 8 de setembro de 2013

Espiritualidade se mostra no dia-a-dia

O que é a iluminação?

Para alguns um processo místico que ocorre quando a energia representada por uma Serpente e conhecida como Kundalini é desperta e sobe pela coluna vertebral atingindo o Sahashara Chakra, localizado no topo de nossa cabeça. Esta Kundalini está localizada no Muladhara Chakra que é nosso centro energético localizado próximo a base de nossa coluna.

Para outros um processo endócrino pela liberação de um hormônio pela glândula Pineal. Segundo o Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, médico, pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, em seu estudo sobre a pineal, chegou à seguinte conclusão: "A pineal é um sensor capaz de ver o mundo espiritual e de coligá-lo com a estrutura biológica. É uma glândula, portanto, que 'vive' o dualismo espírito-matéria".

Mas independente do que acreditamos ser o estágio final da iluminação e como ele ocorre, estive pensando sobre o processo, a busca. Para que nós buscamos a iluminação?

Para estarmos em estado de consciência elevada, certo? Estado este conhecido como Samadhi, estado Búdico, Nirvânico, de Consciência Crística ou, como citado no Livro de Alexandre Campelo: “Jesus, o Cristo Yogue”, o estado de Kutastha Chaitanya (Kutastha = o que está em cima, no cume, na cúspide, situado no alto. + Chaitanya = espírito, inteligência, pureza).

Mas para que serve este estado se não para ajudar as pessoas? Será que todos que buscam este estado de supra-consciência sabem que este caminho é difícil, exige disciplina, auto-observação, é trilhado sozinho mas ao atingí-lo o resultado deixa de ser individual e passa a ser coletivo?

O que fizeram alguns seres citados a seguir, dos inúmeros iluminados que já estiveram entre nós, senão ajudar outras pessoas a encontrar este mesmo caminho: Sidarta Gautama, Jesus Cristo, Paramahansa Yogananda, Swami Shankaracharya, Lahiri Mahasaya, Swami Vivekananda, Swami Sivananda, Yukteswar, Moisés, Lao Tsé, Confúcio, dentre outros.

Através de meus estudos sobre a vida, por enquanto, de Sidarta Gautama e de Jesus Cristo, tenho a convicção que a espiritualidade de uma pessoa se mostra no dia-a-dia, nos relacionamentos, nas reações diante das adversidades, nas atitudes e nos gestos. Por isso que considero o estado de iluminação como um resultado coletivo, pois quando você muda seu comportamento, suas atitudes, seus gestos e neles só existem amor, respeito e gratidão, você transforma o ambiente e as pessoas que estão ao redor. Pois de nada adianta ser uma pessoa “espiritualizada” dentro de uma sala ou em um parque durante um processo meditativo e ao término voltar “ao mundo” mantendo suas atitudes grosseiras e seus relacionamentos conturbados.

Fica claro para mim que o processo de meditação nada mais é que uma base, um alicerce. Meditamos para que possamos aquietar nossa mente e despertar a nossa consciência, nos aproximando assim de nossa essência, do sagrado que há em cada um de nós. E finalizando o processo meditativo em sala, precisamos manter este estado meditativo em nosso dia-a-dia, não com os olhos fechados e em postura meditativa, mas em nossos relacionamentos, nas atitudes, nos gestos.

Autor: Glauco Tavares
Disponível em: http://glaucotavares.blogspot.com.br/2009/03/espiritualidade-aparece-no-dia-dia.html

domingo, 1 de setembro de 2013

Caso Verídico – Chico Xavier / Bezerra de Menezes

O mais bonito, não eram apenas as visitas que o Chico fazia com os grupos, mas aquelas anônimas que ele realizava pela madrugada, quando saía sozinho para levar seu conforto moral à famílias doentes, a pessoas moribundas, às vezes acompanhado por um amigo para assessorá-lo, ajudá-lo, pois já portava alguns problemas de saúde, mas sem que ninguém o soubesse.

Ali estava a maior antena paranormal da humanidade dos últimos séculos, apagando este potencial para chorar com uma família que tinha fome.

Ele contou-me que tinha o hábito, em Pedro Leopoldo, de visitar pessoas que ficavam embaixo de uma velha ponte numa estrada abandonada, e que ruíra. Iam ele, sua irmã Luiza e mais duas ou três pessoas muito pobres de sua comunidade. À medida que eles aumentavam a freqüência de visitas, os necessitados foram se avolumando, e mal conseguiam víveres para o grupo, pois que os seus salários eram insuficientes, e todos eram pessoas de escassos recursos.

O esposo de Luíza, que era fiscal da prefeitura, recolhia, quando nas feiras-livres havia excedente, legumes e outros alimentos, e que eram doados para distribuir anonimamente, nos sábados, à noite, aos necessitados da ponte.

Houve, porém, um dia em que ele, Luíza e suas auxiliares não tinham absolutamente nada; decidiu-se então, não irem, pois aquela gente estava com fome e nada teriam para oferecer. Eles também estavam vivendo com extremas dificuldades.

Foi quando apareceu-lhe o espírito do Dr. Bezerra de Menezes, que sugeriu colocassem algumas bilhas com água, que ele iria magnetizá-las para serem distribuídas, havendo, ao menos, alguma coisa para dar. Ele assim o fez, e o Espírito benfeitor, utilizando-se do seu ectoplasma bem como o das demais pessoas presentes, fluidificou o líquido.

Esse adquiriu um suave perfume, e então o Chico tomou as moringas e, com suas amigas, após a reunião convencional do sábado, dirigiram-se à ponte. Quando lá chegaram encontraram umas 200 pessoas, entre crianças, adultos, enfermos em geral, pessoas com graves problemas espirituais, necessitados.

"Lá vem o Chico, dona Luíza" – gritaram e ele, constrangido e angustiado, por ter levado apenas água (o povo nem sabia o que seria água magnetizada, fluidificada), pretendeu explicar a ocorrência. Levantou-se e falou:

- "Meus irmãos, hoje nós não temos nada" – e narrou a dificuldade. As pessoas ficaram logo ofendidas, tomando atitudes de desrespeito, e ele começou a chorar. Neste momento, uma das assistidas levantou-se e disse:

" – Alto lá! Este homem e estas mulheres vêm sempre aqui nos ajudar, e hoje, que eles não têm nada para nos dar, cabe-nos dar-lhes alguma coisa. Vamos dar-lhes a nossa alegria, vamos cantar, vamos agradecer a Deus."

Enquanto ela estava dizendo isso, apareceu um caminhão carregado, e alguém, lá de dentro, interrogou:

- "quem é Chico Xavier?"

Quando ele atendeu, o motorista perguntou se ele se lembrava de um certo Dr. Fulano de Tal? Chico recordava-se de um certo senhor de grandes posses materiais que vivia em São Paulo, que um ano antes estivera em Pedro Leopoldo, e lhe contara o drama de que era objeto.

Seu filho querido desencarnara, ele e a esposa estavam desesperados – ainda não havia o denominado Correio de Luz, eram comunicações mais esporádicas – e Chico compadeceu-se muito da angústia do casal.

Durante a reunião, o filhinho veio trazido pelo Dr. Bezerra de Menezes e escreveu uma consoladora mensagem. Então o cavalheiro disse-lhe:

"- Um dia, Chico, eu hei de retribuir-lhe de alguma forma. Mas como é que meu filho deu esta comunicação?"

Chico explicou-lhe:

" – É natural esse fenômeno, graças ao venerando Espírito Dr. Bezerra de Menezes, que trouxe o jovem desencarnado para este fim", e deu-lhe uma idéia muito rápida do que eram as comunicações mediúnicas.

O casal ficou muito grato ao Dr. Bezerra de Menezes, e repetiu que um dia haveria de retribuir a graça recebida.

Foi quando o motorista lhe narrou:

- "Estou trazendo este caminhão de alimentos mandado pelo Sr. Fulano de Tal, que me deu o endereço do Centro onde deveria entregar a carga, mas tive um problema na estrada, e atrasei-me; quando cheguei, estava tudo fechado. Olhei para os lados e apareceu-me um senhor de idade com barbas brancas, e perguntou o que eu desejava.

" – Estou procurando o Sr. Chico Xavier" – respondi.

" – Pois olhe: dobre ali, vá até uma ponte caída, e diga que fui eu quem o orientou" – respondeu-me.

" – E qual o seu nome?" – indaguei, e ele respondeu " – Bezerra de Menezes".

domingo, 25 de agosto de 2013

Jornada


Fui átomo, vibrando entre as forças do Espaço,

Devorando amplidões, em longa e ansiosa espera...

Partícula, pousei... Encarcerado, eu era

Infusório do mar em montões de sargaço.



Por séculos fui planta em movimento escasso,

Sofri no inverno rude e amei na primavera;

Depois, fui animal, e no instinto da fera

Achei a inteligência e avancei passo a passo...



Guardei por muito tempo a expressão dos gorilas,

Pondo mais fé nas mãos e mais luz nas pupilas,

A lutar e chorar para, então, compreendê-las!...



Agora, homem que sou, pelo Foro Divino,

Vivo de corpo em corpo a forjar o destino

Que me leve a transpor o clarão das estrelas!...


Adelino da Fontoura Chaves e Chico Xavier. Antologia dos Imortais

domingo, 18 de agosto de 2013

A quem interessar possa...

“Tudo é lícito, mas nem tudo convém”.
Paulo – 1 Coríntios.

Classifico como interessantes alguns chamados que nós palestrantes (oradores, tribunos e afins) espíritas recebemos para realizações de trabalhos em algumas casas – poucas, é bem verdade – que têm uma forma sui generis de conduzir as suas tarefas. Refiro-me ao incômodo que sinto nos convites feitos pelas instituições do tipo citado anteriormente: parece que querem um robô repetidor de palavras, uma espécie de marionete.
Algumas vezes recebemos e-mails ou telefonemas que, além dos convites, trazem instruções para que sigamos o material de pesquisa disponibilizado, tendo o cuidado de não fugir um milímetro. Enviam, outras vezes, a palestra praticamente pronta, sob o pretexto ora intrínseco, ora declarado de não correr o risco de ser abordado aquilo que “o público” não se interessa em ouvir.
Penso eu, alguém me corrija se estiver equivocado, que quando somos gentilmente convocados por estas instituições é por dois motivos básicos: ou trata-se de um teste para saber se o nosso conteúdo é condizente com os postulados da doutrina kardequiana; ou é pelo fato de já terem nos assistido anteriormente e, de alguma forma, comprovarem que já apresentamos condições para falar nesta ou naquela casa.
Nós, palestrantes, intimoratos que sobem nos palanques da vida sabendo estarmos propensos a todo tipo de julgamento (construtivos ou maldosos), devemos estar sempre muito agradecidos com tais oportunidades. Não podemos esquecer que os maiores beneficiados, antes dos que escutam, são os que falam, justamente pelo fato de termos a preocupação e o bom senso de pesquisar, estudar, ler, reler o trabalho proposto até que estejamos prontos para o desiderato cristão. Pelo menos é o que se espera daqueles responsáveis com a tarefa de divulgação do Espiritismo.
Peço perdão aos que, por algum motivo, se ofenderem – natural em nós, criaturas humanas frágeis – contudo sinto-me, verdadeiramente, invadido por esse tipo de conduta.
Aos dirigentes, diretores, coordenadores, consultores, etc., doutrinários (função que exerci com muita honra e gratidão durante dois anos no Centro Espírita Lar João Batista[i]) solicito um pouco mais de cuidado e, por que não dizer, respeito com quem convida para as reuniões doutrinárias.
Acredito ser absolutamente lícita a preocupação com o que se é propagado em nome do Espiritismo, inclusive por perceber que alguns de nós, de forma leviana e personalista, incluímos no trabalho conceitos outros que fogem da proposta da doutrina, mas seria conveniente?
O departamento doutrinário, para quem ainda não percebeu, é o mais importante de uma instituição espírita comprometida com a mensagem consoladora que nos cabe, mas chegar ao ponto de orientar que seja feito assim ou assado, que seja dito isto ou aquilo, é realmente demais para mim. Fico imaginando qual será o próximo passo... Seria dizer a roupa que devemos nos apresentar? Oremos!
Não nos esqueçamos de Leon Denis quando afirmou num passado não muito distante: “O Espiritismo será o que dele fizerem os homens”[ii]. Reflitamos sobre o que estamos fazendo da Doutrina Consoladora.

Abraços fraternais.

Ivan Cézar



[i] Instituição Espírita fundada em 1980 sediada em Salvador
[ii] No Invisível – Página 08

domingo, 11 de agosto de 2013

A missão de ser pai

582. Pode-se considerar como missão a paternidade?

“É, sem contestação possível, uma verdadeira missão. É ao mesmo tempo grandíssimo dever e que envolve, mais do que o pensa o homem, a sua responsabilidade quanto ao futuro. Deus colocou o filho sob a tutela dos pais, a fim de que estes o dirijam pela senda do bem, e lhes facilitou a tarefa dando àquele uma organização débil e delicada, que o torna propício a todas as impressões. Muitos há, no entanto, que mais cuidam de aprumar as árvores do seu jardim e de fazê-las dar bons frutos em abundância, do que de formar o caráter de seu filho. Se este vier a sucumbir por culpa deles, suportarão os desgostos resultantes dessa queda e partilharão dos sofrimentos do filho na vida futura, por não terem feito o que lhes estava ao alcance para que ele avançasse na estrada do bem.”

O Livro dos Espíritos - Allan Kardec

domingo, 4 de agosto de 2013

O Desapego

O amor é a única libertação do apego. Quando você ama tudo, não está preso a nada.

Na verdade, o fenômeno do apego precisa ser entendido. Por que você se agarra a algo? Porque tem medo de perdê-lo. Talvez alguém possa roubá-lo. Seu medo é de que amanhã você não possa ter o que tem hoje.

Quem sabe o que acontecerá amanhã? A mulher ou o homem que você ama… qualquer movimento é possível: vocês podem se aproximar ou podem se distanciar. Vocês podem novamente se tornar estranhos ou podem ficar tão unidos que não seria correto dizer nem mesmo que vocês são duas pessoas diferentes; é claro, existem dois corpos, mas o coração é um só, a canção do coração é uma só e o êxtase os envolve como uma nuvem.

Vocês desaparecem nesse êxtase: você não é você, ela não é ela. O amor passa a ser tão total, tão grande e irresistível que você não pode permanecer você mesmo; você precisa submergir e desaparecer.

Nesse desaparecimento, quem se prenderá, e a quem? Tudo é. Quando o amor desabrocha em sua totalidade, tudo simplesmente é. O receio do amanhã não surge, daí não surgir a questão do apego.

Todas as nossas misérias e sofrimentos não são nada mais do que apego. Toda a nossa ignorância e escuridão é uma estranha combinação de mil e um apegos. Nós estamos apegados a coisas que serão levadas no momento da morte, ou mesmo, talvez, antes. Você pode estar muito apegado a dinheiro, mas você pode ir à bancarrota amanhã. Você pode estar muito apegado a seu poder e posição, mas eles são como bolhas de sabão. Hoje eles estão aqui; amanhã eles não deixarão nem um traço. (…)

Todas as nossas posições, todos os nossos poderes, nosso dinheiro, nosso prestígio, respeitabilidade são todos bolhas de sabão. Não fique apegado a bolhas de sabão; senão, você estará em contínua miséria e agonia. Essas bolhas de sabão não se importam por você estar apegado a elas. Elas continuam estourando e desaparecendo no ar e deixando-o para trás com o coração ferido, com um fracasso, com uma profunda destruição de seu ego. Elas o deixam triste, amargo, irritado, frustrado. Elas transformam sua vida num inferno.

Compreender que a vida é feita da mesma matéria que os sonhos é a essência do caminho. Desapegue-se: viva no mundo, mas não seja do mundo. Viva no mundo, mas não permita que o mundo viva dentro de você. Lembre-se que ele é um belo sonho, porque tudo está mudando e desaparecendo.

Não se agarre a nada. Agarrar-se é a causa de sermos inconscientes.

Se você começar a se desprender, uma tremenda liberação de energia acontecerá dentro de você. A energia que estava envolvida no apego às coisas trará um novo amanhecer ao seu ser, uma nova luz, uma nova compreensão, um tremendo descarregar – nenhuma possibilidade para a miséria, a agonia, a angustia.

Ao contrário, quando todas essas coisas desaparecem, você se encontra sereno, calmo e tranquilo, numa alegria sutil. Haverá um riso no seu ser. (…)

Se você se tornar desapegado, você será capaz de ver como as pessoas estão apegadas a coisas triviais, e quanto elas estão sofrendo por isso. E você rirá de si mesmo, porque você também estava no mesmo barco antes. O desapego é certamente a essência do caminho.

Autor: Osho

domingo, 28 de julho de 2013

Pedro cura o mendigo coxo

1 Certo dia Pedro e João estavam subindo ao templo na hora da oração, às três horas da tarde.

2 Estava sendo levado para a porta do templo chamada Formosa um aleijado de nascença, que ali era colocado todos os dias para pedir esmolas aos que entravam no templo.

3 Vendo que Pedro e João iam entrar no pátio do templo, pediu-lhes esmola.

4 Pedro e João olharam bem para ele e, então, Pedro disse: "Olhe para nós!"

5 O homem olhou para eles com atenção, esperando receber deles alguma coisa.

6 Disse Pedro: "Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isto lhe dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, ande".

7 Segurando-o pela mão direita, ajudou-o a levantar-se, e imediatamente os pés e os tornozelos do homem ficaram firmes.

8 E de um salto pôs-se em pé e começou a andar. Depois entrou com eles no pátio do templo, andando, saltando e louvando a Deus.

9 Quando todo o povo o viu andando e louvando a Deus,

10 reconheceu que era ele o mesmo homem que costumava mendigar sentado à porta do templo chamada Formosa. Todos ficaram perplexos e muito admirados com o que lhe tinha acontecido.

11 Apegando-se o mendigo a Pedro e João, todo o povo ficou maravilhado e correu até eles, ao lugar chamado Pórtico de Salomão.

Pedro discursa no templo

12 Vendo isso, Pedro lhes disse: "Israelitas, por que isto os surpreende? Por que vocês estão olhando para nós, como se tivéssemos feito este homem andar por nosso próprio poder ou piedade?

13 O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus dos nossos antepassados, glorificou seu servo Jesus, a quem vocês entregaram para ser morto e negaram perante Pilatos, embora ele tivesse decidido soltá-lo.

14 Vocês negaram publicamente o Santo e Justo e pediram que fosse libertado um assassino.

15 Vocês mataram o autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos. E nós somos testemunhas disso.

16 Pela fé no nome de Jesus, o Nome curou este homem que vocês veem e conhecem. A fé que vem por meio dele lhe deu esta saúde perfeita, como todos podem ver.

17 "Agora, irmãos, eu sei que vocês agiram por ignorância, bem como os seus líderes.

18 Mas foi assim que Deus cumpriu o que tinha predito por todos os profetas, dizendo que o seu Cristo haveria de sofrer.

19 Arrependam-se, pois, e voltem-se para Deus, para que os seus pecados sejam cancelados,

20 para que venham tempos de descanso da parte do Senhor, e ele mande o Cristo, o qual lhes foi designado, Jesus.

21 É necessário que ele permaneça no céu até que chegue o tempo em que Deus restaurará todas as coisas, como falou há muito tempo, por meio dos seus santos profetas.

22 Pois disse Moisés: 'O Senhor Deus levantará dentre seus irmãos um profeta como eu; ouçam-no em tudo o que ele disser.

23 Quem não ouvir esse profeta, será eliminado do meio do seu povo'.

24 "De fato, todos os profetas, de Samuel em diante, um por um, falaram e predisseram estes dias.

25 E vocês são herdeiros dos profetas e da aliança que Deus fez com os seus antepassados. Ele disse a Abraão: 'Por meio da sua descendência todos os povos da terra serão abençoados'.

26 Tendo Deus ressuscitado o seu Servo, enviou-o primeiramente a vocês, para abençoá-los, convertendo cada um de vocês das suas maldades".

Atos Dos Apóstolos 3:6

domingo, 21 de julho de 2013

Não há morte

Depois que partiram do círculo carnal aqueles a quem amas, tens a impressão de que a vida perdeu a sua finalidade.

As horas ficaram vazias, enquanto uma angústia que te dilacera e uma surda desesperação que te mina as energias se fazem a constante dos teus momentos de demorada agonia.

Estiveram ao teu lado como bênção de Deus, clareando o teu mundo de venturas com o lume da sua presença e não pensaste, não te permitiste acreditar na possibilidade de que eles te pudessem preceder na viagem de retorno.

Cessados os primeiros instantes do impacto que a realidade te impôs, recapitulas as horas de júbilo enquanto o pranto verte incessante, sem confortaste, como se as lágrimas carregassem ácido que te requeima desde a fonte do sentimento à comporta dos olhos, não diminuindo a ardência da saudade...

Ante essa situação, o futuro se te desdobra sombrio, ameaçador, e interrogas como será possível prosseguir sem eles.

O teu coração pulsa destroçado e a tua dor moral se transforma em punhalada física, a revolver a lâmina que te macera em largo prazo.

Temes não suportar tão cruel sofrimento.

Conseguirás, porém, superá-lo.

Muito justas, sim, tuas saudades e sofrimentos.

Não, porém, a ponto de levar-te ao desequilíbrio, à morte da esperança, à revolta...

Os seres a quem amas e que morreram, não se consumiram na voragem do aniquilamento. Eles sobreviveram.

A vida seria um engodo, se se destruísse ante o sopro desagregador da morte que passa.

A vida se manifesta, se desenvolve em infinitos matizes e incontáveis expressões. A forma se modifica e se estrutura, se agrega e se decompõe passando de uma para outra expressão vibratória sem que a energia que a vitaliza dependa das circunstâncias transitórias em que se exterioriza.

Não estão, portanto, mortos, no sentido de destruídos, os que transitaram ao teu lado e se transferiram de domicílio.

Prosseguem vivendo aqueles a quem amas. Aguarda um pouco, enquanto, orando, a prece te luarize a alma e os envolvas no rumo por onde seguem.

Não te imponhas mentalmente com altas doses de mágoas, com interrogações pressionantes, arrojando na direção deles os petardos vigorosos da tua incontida aflição.

Esforça-te por encontrar a resignação.

O amor vence, quando verdadeiro, qualquer distância e é ponte entre abismos, encurtando caminhos.

Da mesma forma que anelas por volver a senti-los, a falar-lhes, a ouvir-lhes, eles também o desejam.

Necessitam, porém, evoluir, quanto tu próprio.

Se te prendes a eles demoradamente ou os encarceras no egoísmo, desejando continuar uma etapa que ora se encerrou, não os fruirás, porque estarão na retaguarda.

Libertando-os, eles prosseguirão contigo, preparar-te-ão o reencontro, aguardar-te-ão...

Faze-te, a teu turno, digno deles, da sua confiança, e unge-te de amor com que enriqueças outras vidas em memória deles, por afeição a eles.

Não penses mais em termos de "adeus" e, sim, em expressões de "até logo mais".

*

Todos os homens na Terra são chamados a esse testemunho, o da temporária despedida. Considera, portanto, a imperiosa necessidade de pensar nessa injunção e deixa que a reflexão sobre a morte faça parte do teu programa de assuntos mentais, com que te armarás, desde já, para o retorno, ou para enfrentar em paz a partida dos teus amores...

Quanto àqueles que viste partir, de quem sofres saudades infinitas e impreenchíveis vazios no sentimento, entrega-os a Deus, confiando-os e confiando-te ao Pai, na certeza de que, se souberes abrir a alma à esperança e à fé, conseguirás senti-los, ouvi-los, deles haurindo a confortadora energia com que te fortalecerás até ao instante da união sem dor, sem sombra, sem separação pelos caminhos do tempo sem fim, no amanhã ditoso.

Joanna de Ângelis / Divaldo Pereira Franco

domingo, 14 de julho de 2013

O BURRO E O BURACO

"Um dia, o jumento de um fazendeiro caiu num poço. O animal relinchou penosamente por horas, enquanto o fazendeiro pensava o que fazer.

Por fim, o fazendeiro chegou à conclusão de que o poço precisava mesmo ser fechado e, como o animal estava velho, não valia a pena resgatá-lo.

O fazendeiro convidou seus vizinhos para ajudá-lo. Todos pegaram pás e começaram a jogar terra dentro do poço.

No início, percebendo o que acontecia, o jumento relinchava, desesperado. Depois, para surpresa geral, aquietou-se.

Algumas pás de terra depois, o fazendeiro resolveu olhar para baixo e ficou surpreso com o que viu. O jumento sacudia cada pá de terra que caía sobre ele, e aproveitava a terra para subir um pouco mais.

Enquanto os vizinhos do fazendeiro continuavam a jogar terra no animal, ele a sacudia e subia cada vez mais.

Não demorou para todos se espantarem ao ver o jumento escapar do poço e sair trotando alegremente."

*

A vida vai jogar terra em você. Todo tipo de terra. Para sair do poço, o segredo é sacudi-la e aproveitá-la para subir mais um pouco.

Cada um dos nossos problemas pode ser um degrau. Sairemos do poço mais profundo, se não nos detivermos, se não desistirmos. Sacuda a terra e aproveite-a para subir um pouco mais.

Lembre-se de cinco regras simples para ser feliz:
• Livre seu coração de todo ódio. Perdoe.
• Livre sua mente das preocupações. A maioria nunca acontece.
• Viva com simplicidade e aproveite o que você tem.
• Ofereça mais.
• Espere menos.

Postado por André Nery o Facebook e disponível em http://nextgroup.com.br/

domingo, 7 de julho de 2013

Exame de Fé

Certo homem que passou a destacar-se dos outros, evidenciando largo entendimento de fraternidade e de fé, a par de grande compreensão, atribuía a Deus a propriedade de bens da vida.

Acabara de construir o lar, iniciando a formação da sua família, e associava-se, com toda a alma, a empreendimentos religiosos, tanto quanto lhe era possível.

Em semelhantes iniciativas, começou a ensinar a fidelidade ao Senhor Supremo, compondo discursos admiráveis em que comentava a excelência da confiança no Céu.

-“Deus – dizia ele, convicto -, Deus é o Criador de Todo o Universo e, por isso mesmo, é o Dono de Tudo e de tudo somos simples usufrutuários em Seu nome. Almas, constelações e mundos Lhe pertencem por toda a parte. Recebemos, por empréstimo santo de Sua Infinita Bondade, o berço em que nascemos, o lar que nos acolhe, as afeições do mundo, o conforto e a alegria...”

A palavra dele inflamava imenso fervor nos ouvintes, que passavam a refletir com segurança sobre a grandeza do Amor Divino. E tão grande se fez a sua influência que o Senhor, sensibilizado com tamanhas demonstrações de fé, enviou à Terra alguns mensageiros para lhe examinarem a verdadeira posição.

Os referidos instrutores começaram permitindo que a maledicência e a calúnia lhe amargassem a vida.

O herói da lealdade padeceu golpes terríveis que lhe enodoaram a dignidade, mas atribuiu todos os percalços do caminho a manifestações indiretas da Celeste Bondade e acabou exclamando, sinceramente:

-Meu nome pertence a Deus. Que Deus seja louvado!

Os emissários que o seguiam, observando-lhe a firmeza, deixaram que a perseguição gratuita lhe envolvesse o roteiro; no entanto, o ódio injustificável como que lhe acendrou a confiança. Entre nuvens de sofrimento, o devoto concluiu que o ideal da perfeição é fruto da Magnanimidade Divina e afirmou, convencido:

-O bem é obra do Senhor! Louvado seja o Senhor!

Os aludidos educadores concordaram em que fosse ele experimentado pela incompreensão e o pupilo da fé se viu envolvido de aflição e ridículo, sentindo-se dilacerado e sozinho no seio do próprio lar. Contudo, reconhecendo que todo apreço e toda estima devem ser erigidos essencialmente ao Criador, asseverou, conformado:

Toda a glória deve ser dada ao Pai que está nos Céus!... Louvado seja o Pai que está nos Céus!

Os examinadores em lide decidiram que a enfermidade lhe visitasse o corpo, e o amigo da prece foi relegado ao leito em extrema penúria física; todavia, em meio da própria angústia, reparou que seu corpo era um depósito do Todo-Compassivo e disse, imperturbável:

-Meu corpo é um empréstimo do Todo-Poderoso. Que o Todo-Poderoso seja louvado!...

Continuaram os enviados celestes no campo da experiência e o homem de fé resistiu valoroso, superando amargura e desolação, tristeza e necessidade...

Porque um dia recolhesse ele a presença da morte na pessoa de um dos filhos, acatando, submisso, a Vontade Celestial, os mensageiros da Esfera Superior endereçaram ao Pai Sublime, através de canais competentes, conciso relatório sobre a lealdade inflexível do crente valoroso que se encontrava na Terra...

Logo após, receberam ordem expressa da Casa do Senhor para que lhe entregassem grande quantidade de ouro, como suprema prova de obediência.

O homem recebeu a dádiva generosa, sob a aparência de um negócio feliz, e entregou-se ao conforto da nova situação.

Parecia, anestesiado, quando orava, e ébrio de alegria em todos os movimentos.

Decorrido algum tempo, os instrutores espirituais trouxeram-lhe um companheiro em dificuldade, que lhe implorou, humilhado e triste:

-Meu amigo, tenho quatro filhos doentes e venho pedir-lhe em nome de Deus, por empréstimo, algum dinheiro para solucionar meus problemas. Espero resgatar minha dívida em dois ou três meses...

Ante o silêncio do interpelado, reiterou quase em pranto:

-Socorra-me por amor ao nosso Pai de Bondade!...

Mas, com indisfarçável espanto, os professores divinos ouviram-no dizer, impassível e entediado:

-Não posso, não posso!... Meu dinheiro é um patrimônio que custei muito a ganhar.

Chico Xavier e Irmão X

domingo, 30 de junho de 2013

O Clamor das massas

Quando as injustiças sociais atingem o clímax e a indiferença dos governantes pelo povo que estorcega nas amarras das necessidades diárias, sob o açodar dos conflitos íntimos e do sofrimento que se generaliza, nas culturas democráticas, as massas correm às ruas e às praças das cidades para apresentar o seu clamor, para exigir respeito, para que sejam cumpridas as promessas eleitoreiras que lhe foram feitas...

Já não é mais possível amordaçar as pessoas, oprimindo-as e ameaçando-as com os instrumentos da agressividade policial e da indiferença pelas suas dores.

O ser humano da atualidade encontra-se inquieto em toda parte, recorrendo ao direito de ser respeitado e de ter ensejo de viver com o mínimo de dignidade.

Não há mais lugar na cultura moderna, para o absurdo de governos arbitrários, nem da aplicação dos recursos que são arrancados do povo para extravagâncias disfarçadas de necessárias, enquanto a educação, a saúde, o trabalho são escassos ou colocados em plano inferior.

A utilização de estatísticas falsas, adaptadas aos interesses dos administradores, não consegue aplacar a fome, iluminar a ignorância, auxiliar na libertação das doenças, ampliar o leque de trabalho digno em vez do assistencialismo que mascara os sofrimentos e abre espaço para o clamor que hoje explode no País e em diversas cidades do mundo.

É lamentável, porém, que pessoas inescrupulosas, arruaceiras, que vivem a soldo da anarquia e do desrespeito, aproveitem-se desses nobres movimentos e os transformem em festival de destruição.
Que, para esses inconsequentes, sejam aplicadas as corrigendas previstas pelas leis, mas que se preservem os direitos do cidadão para reclamar justiça e apoio nas suas reivindicações.

O povo, quando clama em sofrimento, não silencia sua voz, senão quando atendidas as suas justas reivindicações. Nesse sentido, cabe aos jovens, os cidadãos do futuro, a iniciativa de invectivar contra as infames condutas... porém, em ordem e em paz.

Texto de Divaldo Franco para o Jornal A Tarde

domingo, 16 de junho de 2013

Os sons da floresta

No século III d.C., um rei mandou seu filho, o príncipe T'ai, ir estudar no templo com o grande mestre Pan Ku. O objetivo era preparar o Príncipe, que iria suceder ao pai no trono, para ser um grande Administrador. Quando o Príncipe chegou ao templo, o Mestre logo o mandou, sozinho, à floresta. Ele deveria voltar um ano depois, com a tarefa de descrever os sons da floresta.

Passando o prazo, o Príncipe retornou e o Mestre lhe pediu para descrever os sons de tudo aquilo que tinha conseguido ouvir.

"Mestre", disse o Príncipe, "pude ouvir o canto dos pássaros, o roçar das folhas, o alvoroço dos beija-flores, a brisa batendo suavemente na grama, o zumbido das abelhas e o barulho do vento cortando os céus".

Quando o príncipe terminou, o Mestre mandou-o de volta à floresta para ouvir tudo o mais que fosse possível. O Príncipe ficou intrigado com a ordem do Mestre. Ele já não tinha distinguido cada som da floresta?

Por longos dias e noites o Príncipe se sentou sozinho na floresta, ouvindo, ouvindo. Mas não conseguiu distinguir nada de novo além daqueles sons já mencionados ao Mestre. Então, certa manhã, sentado entre as árvores da floresta, começou a discernir sons vagos, diferentes de tudo o que ouvira antes. Quanto mais atenção prestava, mais claros os sons se tornavam. Uma sensação de encantamento tomou conta do rapaz. " Esses devem ser os sons que o Mestre queria que eu ouvisse", pensou. Sem pressa, o Príncipe passou horas ali, ouvindo e ouvindo, pacientemente. Queria ter a certeza de que estava no caminho certo.

Quando o Príncipe retornou ao templo, o Mestre lhe perguntou o que mais ele tinha conseguido ouvir. "Mestre", respondeu reverentemente o Príncipe, "quando prestei mais atenção, pude ouvir o inaudível; o som das flores se abrindo, do sol aquecendo a terra e da grama bebendo o orvalho da manhã". O Mestre acenou com a cabeça em sinal de aprovação. "Ouvir o inaudível é ter a disciplina necessária para se tornar um grande Administrador. Apenas quando aprende a ouvir o coração das pessoas, seus sentimentos mudos, os medos não confessados e as queixas silenciosas e reprimidas, um Administrador pode inspirar confiança a seus comandados, entender o que está errado e atender às reais necessidades dos liderados. A morte de uma empresa começa quando os líderes ouvem apenas as palavras pronunciadas pela boca, sem mergulhar a fundo na alma das pessoas para ouvir seus sentimentos, desejos e opiniões reais".

Contos Sufi de Nasrudin

domingo, 9 de junho de 2013

Eihei Dogen Daiosho – Koso Joyo Daishi

"O grande Caminho dos Budas Ancestrais é necessariamente a suprema prática contínua, que circula incessantemente, sem nenhuma interrupção.

Resolução, prática, bodai (iluminação) e nirvana não possuem intervalo entre si – esta é a circulação incessante da prática contínua." (Shobogenzo Gyoji)

Nossa resolução, prática, iluminação (bodai) e obtenção de Nirvana são o desenvolvimento próprio do grande Caminho dos Budas Ancestrais. Aqui a incessante circulação da prática contínua se realiza. Assim sendo o ponto de vista de Mestre Dogen Zenji se opõe ao da heresia de Senika, que mantinha a ideia de uma inteligência espiritual brilhante existindo eternamente. Dogen Zenji inocentemente proclama "o grande Caminho é o corpo aqui e agora".

O Darma é amplamente presente em cada pessoa, mas a menos que pratique não se torna manifesta, a menos que haja realização, não é obtido.

O que precisa ser compreendido é que precisamos praticar na realização

Essa unidade de prática e realização e da incessante circulação da prática contínua é o ponto essencial dos ensinamentos de Mestre Dogen.

(trecho traduzido e extraído pela Monja Coen em 10 de abril de 2011, do livro A Study of Dogen, His Philosophy and Religion, de Masao Abe, editado por Steven Heine, publicado por State University of New York Press, Albany, 1992)

domingo, 2 de junho de 2013

Oração e provação

A oração não suprime, de imediato, os quadros da provação, mas renova-nos o espírito, a fim de que venhamos a sublimá-los ou removê-los.

Repara o caminho que a névoa amortalha, quando a noite escura te distancia do Sol.

Em cima, nuvens extensas furtam-te aos olhos o painel das estrelas e, embaixo, espinheiros e precipícios ameaçam-te os pés.

Debalde, consultarás a bússola que a treva densa embacia.

Se avanças, é possível te arrojes na lama de covas escancaradas; se paras, é provável padeças o assalto de traiçoeiros animais...

Faze, porém, pequenina luz, e tudo se modifica.

O charco não perde a feição de pântano e a pedra mantém-se por desafio que te adverte na estrada; entretanto, podendo ver, surgirás, transformado e seguro, para seguir à frente, vencendo as armadilhas da sombra e as aperturas da marcha.

Assim, também, é a oração nos trilhos da experiência.

Quando a dor te entenebrece os horizontes da alma, subtraindo-te a serenidade e a alegria, tudo parece escuridão envolvente e derrota irremediável, induzindo-te ao desânimo e insuflando-te o desespero; todavia, se acendes no coração leve flama da prece, fios imponderáveis de confiança ligam-te o ser à Providência Divina.

Exteriormente, em torno, o sofrimento não se desfaz da catadura sombria; a morte, ainda e sempre, é o véu de dolorosa separação; a prova é o mesmo teste inquietante e o golpe da expiação continua sendo a luta difícil e inevitável, mas estarás, em ti próprio, plenamente refeito, no imo das próprias forças, com a visão espiritual iluminada por dentro, a fim de que compreendas, acima das tuas dores, o plano sábio da vida, que te ergue dos labirintos do mundo à bênção do amor de Deus.

Emmanuel

domingo, 26 de maio de 2013

Ao mais experiente cabe a iniciativa de reconciliar-se

Mestre Dikra, um Mestre Imutabilista que vivia na Chapada Diamantina, Baiana, e que primava pela Iluminação, realizava uma “Caminhada em Busca do Imutável de si Mesmo” com diversos amigos, no Caminho da Iluminação, pelos Santuários de Luz da região. Num determinado momento de tal movimento, anoitecia e tal Mestre, depois de esclarecê-los quanto à parte do Estado Onilaterativo de Ser, deixou seus Shelas em reflexão e afastou-se deles por alguns instantes. Assim, Mokril, um deles, sentou-se no ambiente de tal Santuário e, na medida que todos eles conversavam acerca do assunto, uns com os outros, ele se revelava como uma pessoa incompreensiva, pois, em suas reflexões demonstrava ressentimentos, rancores, mágoas e tudo que equivalha, para com outras criaturas, tanto presentes, quanto ausentes. Daí um dos aprendizes, Drobi, com o quê preocupado, procurou o Mestre, que neste momento estava contemplativo numa outra região da montanha, e quando o encontrou, na medida que noticiava a este o que presenciara, indagou-lhe:

- Mestre; enquanto aprofundamos o pensamento acerca do seu sermão de hoje, Mokril está deitado no Santuário, mas como sempre - não pára de se lamentar. Por que será Mestre?

O Mestre disse:
- Talvez seja porque ele está sentado no chão frio.

Drobi continuou:
- Ora Mestre se fosse por isso, bastava ele levantar-se.

Daí o Mestre consumou:
- É verdade; contudo, talvez o chão frio não o tenha maltratado o suficiente para ele tomar a iniciativa de se levantar e de fato fazê-lo.

Texto: Fundação Ocidemnte

domingo, 19 de maio de 2013

Alucinógenos, Toxicomania e Loucura

Dentre os gravames infelizes que desorganizam a economia social e moral da Terra atual, as drogas alucinógenas ocupam lugar de destaque, em considerando a facilidade com que dominam as gerações novas, estrangulando as esperanças humanas em relação ao futuro.

Paisagem humana triste, sombria e avassaladora, pelos miasmas venenosos que distilam os grupos vencidos pelo uso desregrado dos tóxicos, constitui evidência do engano a que se permitiram os educadores do passado: pais ou mestres, sociólogos ou éticos, filósofos ou religiosos.

Cultivado e difundido o hábito dos entorpecentes entre povos estiolados pela miséria econômica e moral, foi adotado pela Civilização Ocidental quando o êxito das conquistas tecnológicas não conseguiu preencher as lacunas havidas nas aspirações humanas—mais ampla e profunda integração nos objetivos nobres da vida.

Mais preocupado com o corpo do que com o espírito, o homem moderno deixou-se engolfar pela comodidade e prazer, deparando, inesperadamente, o vazio interior que lhe resulta amarga decepção, após as secundárias conquistas externas.

Acostumado às sensações fortes, passou a experimentar dificuldade para adaptar-se às sutilezas da percepção psíquica, do que resultariam aquisições relevantes promotoras de plenitude íntima e realização transcendente.

Tabulados, no entanto, programados por aferição externa de valores objetivos, preocuparam-se pouco os encarregados da Educação em penetrar a problemática intrínseca dos seres, a fim de, identificando as nascentes das inquietações no espírito imortal, serem solvidos os efeitos danosos e atormentadores que se exteriorizam como desespero e angústia.

Estimulado pelo receio de enfrentar dificuldades, ou motivado pela curiosidade decorrente da falta de madureza emocional, inicia-se o homem no uso dos estimulantes—sempre de efeitos tóxicos—, a que se entrega, inerme, deixando-se arrastar desde então, vencido e desditoso.

Não bastassem a leviandade e intemperança da maioria das vítimas potenciais da toxicomania, grassam os traficantes inditosos que se encarregam de arrebanhar catarmas que se lhes submetem ao comércio nefando, aumentando, cada hora, os índices dos que sucumbem irrecuperáveis.

A má Imprensa, orientada quase sempre de maneira perturbante, por pessoas atormentadas, colocada para esclarecer o problema, graças à falta de valor e de maior conhecimento da questão por não se revestirem os seus responsáveis da necessária segurança moral, tem contribuído mais para torná-lo natural do que para libertar os escravizados que não são alcançados pelos "slogans" retumbantes, porém vazios das mensagens, sem efeito positivo.

O cinema, a televisão, o periodismo dão destaque desnecessário às tragédias, aumentam a carga das informações que chegam vorazes às mentes fracas, aparvalhando-as sem as confortar, empurrando-as para as fugas espetaculares através de meandros dos tóxicos e de processos outros dissolventes ora em voga...

Líderes da comunicação? ases da arte, da cultura, dos esportes não se pejam de revelar que usam estimulantes que os sustentam no ápice da fama, e, quando sucumbem, em estúpidas cenas de auto-destruição consciente ou inconsciente, são transformados em modelos dignos de imitados, lançados como protótipos da nova era, vendendo as imagens que enriquecem os que sobrevivem, de certo modo causadores da sua desgraça...

Não pequeno número, incapaz de prosseguir, apaga as luzes da glória mentirosa nas furnas imundas para onde foge: presídios, manicômios, sarjetas ali expiando, alucinado, a leviandade que o mortificou...

As mentes jovens despreparadas para as realidades da guerra que estruge em todo lugar, nos países distantes e nas praias próximas, como nos intrincados domínios do lar onde grassam a violência, o desrespeito, o desamor arrojam-se, voluptuosas, insaciáveis, ao prazer fugidio, à dita de um minuto em detrimento, afirmam, da angustiosa expectativa demorada de uma felicidade que talvez não fruam...

Fixando-se nas estruturas mui sutis do perispírito, em processo vigoroso, os estupefacientes desagregam a personalidade, porquanto produzem na memória anterior a liberação do subconsciente que invade a consciência atual com as imagens torpes e deletérias das vidas pregressas, que a misericórdia da reencarnação faz jazer adormecidas... De incursão em incursão no conturbado mundo interior, desorganizam-se os comandos da consciência, arrojando o viciado nos lôbregos alçapões da loucura que os absorve, desarticulando os centros do equilíbrio, da saúde, da vontade, sem possibilidade reversiva, pela dependência que o próprio organismo físico e mental passa a sofrer, irresistivelmente...

Faz-se a apologia de uns alucinógenos em detrimento de outros e explica-se que povos primitivos de ontem e remanescentes de hoje utilizavam-se e usam alguns vegetais portadores de estimulantes para experiências paranormais de incursão no mundo espiritual, olvidando-se que o exercício psíquico pela concentração consciente, meditação profunda e prece conduz a resultados superiores, sem as conseqüências danosas dos recursos alucinatórios.

A quase totalidade que busca desenvolver a percepção extra-sensorial, através da usança do estupefaciente, encontra em si mesmo o substractum do passado espiritual que se transforma em fantasmas, cujas reminiscências assomam e persistem, passada a experiência, impondo-se a pouco a pouco, colimando na desarmonização mental do neófito irresponsável. Vale, ainda, recordar que, adversários desencarnados, que se demoram à espreita das suas vítimas, utilizam-se dos sonhos e viagens para surgirem na mente do viciado, no aspeto perverso em que se encontram, causando pavor e fixando matrizes psíquicas para as futuras obsessões em que se repletarão emocionalmente, famílias da infelicidade em que se transformam.

A educação moral à luz do Evangelho sem disfarces nem distorções; a conscientização espiritual sem alardes; a liberdade e a orientação com bases na responsabilidade; as disciplinas morais desde cedo; a vigilância carinhosa dos pais e mestres cautelosos; a assistência social e médica em contribuição fraternal constituem antídotos eficazes para o aberrante problema dos tóxicos—auto-flagelo que a Humanidade está sofrendo, por haver trocado os valores reais do amor e da verdade pelos comportamentos irrelevantes quão insensatos da frivolidade.

O problema, portanto, é de educação na família cristianizada, na escola enobrecida, na comunidade honrada e não de repressão policial...

Se és jovem, não te iludas, contaminando-te, face ao pressuposto de que a cura se dá facilmente.

Se atravessas a idade adulta, não te concedas sonhos e vivências que pertencem à infância já passada, ansiando por prazeres que terminam ante a fugaz e enganosa durabilidade do corpo.

Se és mestre, orienta com elevação abordando a temática sem preconceito, mas com seriedade.

Se és pai ou mãe não penses que o teu lar estará poupado. Observa o comportamento dos filhos, mantém-te, atento, cuida deles desde antes da ingerência e do comprometimento nos embalos dos estupefacientes e alucinógenos, em cuja oportunidade podes auxiliá-los e preservá-los.

Se, porém, te surpreenderes com o drama que se adentrou no lar, não fujas dele, procurando ignorá-lo em conivência de ingenuidade, nem te rebeles, assumindo atitude hostil. Conversa, esclarece, orienta e assiste os que se hajam tornado vitimas, procurando os recursos competentes da Medicina como da Doutrina Espírita, a fim de conseguires a reeducação e a felicidade daqueles que a Lei Divina te confiou para a tua e a ventura deles.

Texto psicografado por Divaldo Pereira Franco pelo espírito de Joanna de Ângelis

domingo, 12 de maio de 2013

Santificação Maternal

Quando percebeste as sublimes vibrações da maternidade no teu seio, foste tomada pela aflição, considerando-se a magnitude do evento para o qual não te sentias preparada.

Não desejavas um filho, nem esperavas que o incidente sexual de que participaste, resultasse na concepção...

De imediato surgiu-te a ideia infeliz do aborto criminoso como solução para o que se te apresentava como problema desafiador.

Anelavas por um futuro rico de oportunidades e de triunfos, o que então se tornaria difícil em razão da presença do filhinho não programado e que nasceria em circunstâncias desfavoráveis.

Quando comunicaste ao companheiro responsável pela tua gravidez, de maneira cruel e cínica, ele escusou-se a qualquer responsabilidade, informando que eras adulta e conhecias os métodos impeditivos da concepção, havendo-te permitido a fecundação com intenções secundárias e infamantes...

A seguir, desapareceu da tua existência, deixando-te abatida e insegura, dominada pelo medo de enfrentar a família e a sociedade que te não compreenderiam a conduta.

Felizmente, na circunstância aflitiva, resolveste buscar refúgio na oração em que leniste a alma sofrida, tomando a decisão de prosseguir corajosamente.

Aqueles eram dias de muita hipocrisia e intolerância.

Nada obstante, aceitaste o desafio, pagando o preço da atitude impensada, quando te facultaste a comunhão sexual irresponsável, e enfrentaste todos os empecilhos que se te apresentaram...

...E renasceu nos teus braços o anjo filial que santificou a tua maternidade.

Embora as dificuldades que advieram, os sacrifícios que te impuseste na condição de mãe solteira e solitária, conseguiste avançar com decisão, amparando o filhinho amado que se transformou na razão mais nobre da tua atual existência.

Transformaste as noites insones ao seu lado febril em experiências de iluminação, entregue ao desvelo e à meditação.

Acompanhaste todos os teus passos inseguros e tentativas de crescimento, oferecendo-lhe ternura, autoconfiança e amor.

O tempo transcorreu lento, mas feliz.

Hoje, quando recordas a jornada vivenciada, emocionas-te e agradeces a Deus haver-te concedido a bênção da maternidade, que soubeste santificar através do amor e da abnegação.

Nunca te arrependeste da decisão de tornar-te mãe.

Aureolada pelos júbilos do dever cumprido, sorris, jubilosamente, e, ditosa, bendizes o filhinho que se transformou em cidadão e ao teu lado está construindo o mundo novo de esperanças e realizações edificantes pelo qual todos lutamos.

Deus te abençoe, mãe abnegada e feliz!

A maternidade, em qualquer circunstância em que se apresente, é dádiva sublime do amor de Deus para todas as criaturas.

Por mais perversa apresente-se a situação em que se concebeu, jamais se permita o aborto criminoso, ceifando a vida do ser inocente que necessita experienciar a oportunidade de crescimento para Deus e para si mesmo.

Ser mãe é tornar-se cocriadora com a Divindade, em sublime oportunidade de santificação.

Viver, portanto, a maternidade em todas as suas expressões, é conquista sublime da criatura humana no seu processo antropopsicológico da evolução.

Texto de Amélia Rodrigues através da psicografia de Divaldo Franco