domingo, 23 de fevereiro de 2014

Lazeres e Divertimentos

"Vida alegre é assinalada pelo trabalho contínuo, enriquecedor e natural. Faze do teu lar o abençoado reduto de ação e de paz"

A indústria do turismo, habilmente manipulada, vende os pacotes da ilusão, como anestésico para a consciência da responsabilidade, desviando o ser humano do seu programa de autodignificação mediante o esforço que deve ser desenvolvido através da consciência lúcida em torno dos objetivos essenciais da existência terrena.

Muitos indivíduos trabalham afanosamente acumulando recursos amoedados e o cansaço inevitável, estresse e angústia em decorrência da luta em demasia, mantendo a expectativa de fruir lazeres e divertimentos que lhes trariam reequilíbrio e alegria pura.

Afinal, o objetivo essencial do viver não é o de desfrutar as concessões artificiais que diariamente são renovadas e podem ser conseguidas mediante os recursos financeiros.

Como efeito, empenham-se para compensar a ausência física e emocional no lar, ao lado da família, pelo anseio de ganhar mais dinheiro, proporcionando-se e a todos os membros domésticos férias coletivas numa fuga psicológica da realidade do dia a dia, que é a participação dos problemas e desafios no seio dessa célula de valor ímpar que são os familiares.

À semelhança de aves gárrulas, realizando a viagem dos sonhos e do espairecimento, visitam lugares consagrados ao ócio, onde predominam a beleza das paisagens, os artefatos de alto valor tecnológico para o esquecimento dos problemas, vivenciando o mundo de fantasias e do cansaço, das caminhadas exaustivas, dos suores e dos aborrecimentos inevitáveis, esteja-se onde se estiver...

Quando se chegam aos lugares paradisíacos, passada a primeira emoção, logo se descobre que quase todo o mundo tomou a mesma decisão: escolheu o mesmo local e suas ofertas fantásticas, passando a ouvir os guias monótonos, as crianças em fase de irritação, as despesas não previstas, que pioram o orçamento, algum desencanto inicial...

Ao invés do repouso anelado defronta-se o corre-corre das filas imensas ou o silêncio dos lugares selecionados que, após algum tempo, induzem ao tédio e ao arrependimento. As promoções muito bem elaboradas magoam aqueles que não podem participar dessa festa, sentindo-se humilhados no grupo social, levando-os à depressão. Que busca, afinal, a criatura humana se não as aparências, os aplausos, a ilusão?

É claro que todo esforço prolongado culmina em cansaço e mal-estar, causando sensações de aniquilamento e de abandono. A recreação surge como estímulo renovador, capaz de proporcionar júbilo, facultando estímulos edificantes. O ser humano é possuidor de inesgotável cabedal de energias e de vitalidade.

Sucede que, fascinado pelo exterior, não se anima a autopenetrar-se, a encontrar as respostas claras para as próprias necessidades. A fantasia, que faz parte da imaginação enriquecida, convida aos voos, alguns alucinantes das conquistas consumistas ou à jornada dos problemas, quando a vida propõe os enfrentamentos que são superados pelas naturais soluções.

Nessa sofreguidão, o indivíduo não pensa na sua realidade imortal, optando pela enganosa postura de vítima necessitada de apoio, invejando os lutadores que considera como privilegiados pela vida.

Há lazeres no lar, no trabalho, na comunidade, ricos de divertimentos domésticos não desgastantes, como frutos da consciência objetiva do dever.

Se te sentes afadigado no trabalho a que te dedicas, muda a rotina, retempera o ânimo e sentirás renovação emocional, tornando-te tranquilo. Reflexiona em torno dos teus compromissos e põe-lhes o sal do amor, pensando nas metas a alcançar, especialmente quando portadoras de significado profundo.

Considera que o trabalho é bênção que deves honrar, não acalentando o anseio infantil somente de férias e de repouso.

Quem opera no bem conscientemente experimenta inefável alegria e, quando é alcançado pela estafa, transfere-se para outro tipo de ação, renovando-se e prosseguindo.

Toda ilusão, ao ser defrontada pela realidade e esfumar-se, deixa significativas marcas de desencanto. Ocorrendo-lhe a morte, alguns indivíduos também sentem o morrer das suas aspirações caracterizadas pela falsa necessidade do gozo, do prazer, do possuir...

As alegrias das férias de encantamento passam e retornam os compromissos que ficaram aguardando, esquecidos nos escaninhos da magia e do encantamento de breve duração.

Pessoas que residem nas montanhas e se entediam com as paisagens encantadoras anelam por viver à beira-mar, nas praias, onde outras que ali vivem desmotivadas pelo largo período no mesmo local sonham com os altiplanos...

Enquanto os turistas risonhos locupletam-se nos paraísos do prazer, os funcionários que os servem com sorrisos profissionais, muitas vezes interiormente irritados, acalentam o desejo, quase irrefreável, de fugir dali para outros locais onde gostariam de estar e de serem servidos.

Não acolhas a tristeza quando não possas fazer parte dos grupos sorridentes de conquistadores do mundo mágico da imaginação deslumbrada. Estabelece um programa a respeito de tudo quanto te é importante ou secundário e labora com disposição jubilosa e nenhum cansaço te amarfanhará as horas.

Preenche as tuas horas com atividades produtivas e naquelas dedicadas ao repouso e ao lazer não te desligando da realidade, prosseguindo ativo mentalmente e com emoção de felicidade.

Contempla os grupos ruidosos dos festeiros e divertidos, após as celebrações, e verás a máscara do mal-estar afivelada à face ou a aceitação para dizer aos outros como foram as alegrias, numa necessidade de exibir o ego, assim apaziguando a frustração.

Vida alegre é assinalada pelo trabalho contínuo, enriquecedor e natural.

Faze do teu lar o abençoado reduto de ação e de paz, onde a alegria seja resultado do prazer de viver e de amar.

E quando possas espairecer, mudando de ambiente, procurando lazeres e divertimentos convencionais, vive-os no seu momento próprio sem que se te façam pesada carga de despesas inoportunas ou geradoras de futuros desencantos.

Jesus até hoje trabalha, conforme acentuou, referindo-se ao Pai que nunca cessou de agir.

O cristão primitivo, no sublime trabalho da autoiluminação e da caridade, encontrava a inigualável alegria que os lazeres e divertimentos de fora jamais conseguem proporcionar.

Desse modo, mantém-te desperto, de modo que a noite da ilusão não te sombreie o dia de ação, anunciando-te júbilos que se transformam em esgares.

Joanna de Ângelis

Disponível em: www.opovo.com.br/app/opovo/espiritualidade/2012/01/28/noticiasjornalespiritualidade,2774822/lazeres-e-divertimentos.shtml

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Pensamento e destino

"Mantenha seus pensamentos positivos, porque seus pensamentos tornam-se suas palavras.
Mantenha suas palavras positivas, porque suas palavras tornam-se suas atitudes.
Mantenha suas atitudes positivas, porque suas atitudes tornam-se seus hábitos.
Mantenha seus hábitos positivos, porque seus hábitos tornam-se seus valores.
Mantenha seus valores positivos, porque seus valores... Tornam-se seu destino."



Texto atribuído a Mahatma Gandhi
Disponível em: http://mara-mariangela.blogspot.com.br/2011/01/textos-e-sabedoria-de-mahatma-gandhi.html

domingo, 19 de janeiro de 2014

Consciência - O Seu Despertar?

"Fala-se muito neste fim de século nos meios já inspirados por um novo paradigma cujas vistas estão voltados para o terceiro milênio do "Desenvolvimento de uma nova consciência"...

Na realidade esta expressão é inadequada pois esta consciência não tem nada de novo, e por conseguinte não há nada para desenvolver.

Quando falamos em Consciência, do ponto de vista holístico, nós nos referimos a um espaço luminoso, cuja característica essencial é ser consciente.

Por isto demos a este artigo o título de "DESPERTAR" e não de "desenvolvimento".

Espaço com conscencial constitui o SER a que muitos nomes de caráter divino se tem dado através dos tempos e das culturas, tais como Jahve, Deus Allah, Brahman, Tao, Natureza de Budha, e assim por diante. Mas recentemente se tem falado em Consciência Cósmica, Consciência, Universal, Espaço primordial, Consciência Transpessoal, Super Consciência, entre outros termos.

Assim sendo esta consciência tem um caráter universal, onipresente, onisciente e onipotente.

Esta consciência, pelo seu caráter de onipresença, se encontra também no ser individual, isto é de cada um de nós sem exceção. É a que chamamos de consciência individual. O termo é também usado como sinônimo de Espírito Universal e Espírito Individual ou mesmo alma Universal e Alma Individual. Por conseguinte, pelo seu caráter esterno ela não é nova.

Por esta razão demos aqui o título de despertar da consciência em vez de desenvolvimento, pois, mesmo no ser humano a consciência esta sempre aí.

Muitos vão perguntar porque não temos acesso a consciência individual, a esta presença em nós, se ela está sempre aí?

Embora sempre presente, ela está velada escondida por uma distorção dela mesma; a nossa mente, que emana dela, tende a criar uma miragem, uma ilusão, a da existência de um eu, separado dela e do mundo que se torna percebido como exterior. Cria-se então o que se chama de filosofia, a dualidade sujeito-objeto.

Esta dualidade gera por sua vez o apego ou a rejeição de coisas, pessoas ou idéias que nos causam respectivamente prazer ou dor. Isto leva ao estresse, à doença, ao sofrimento, reforçando então o distanciamento da consciência.

Podemos sair deste círculo vicioso e recobrar a consciência?

A resposta é positiva. Sim, podemos despertar deste estado de sonolência. Como? Principalmente através da meditação. Esta consiste em sentar, em posição de coluna ereta, sem rigidez; concentrando-se sobre a respiração deixa-se os pensamentos aquietar-se, até aparecer o espaço consciencial, até despertar a plena consciência.

A plena consciência é acompanhada de um estado de Paz e de Plenitude e leva a verdadeira Sabedoria e Compaixão por todos os seres ainda no estado de inconsciência."

Autor Pierre Weil
Disponível em: http://www.pierreweil.pro.br/Brazil.htm

domingo, 5 de janeiro de 2014

O Olhar Integral

No coração da sombra existe a luz. E no coração da luz existe a sombra.
A experiência do ser é a experiência do círculo que mantém os dois juntos.
O momento de repouso que fazemos é semelhante à nossa respiração.
O inspirar e o expirar é uma não-dualidade. Se só inspiramos, sufocamos, se só expiramos, morremos.

O sopro contem a inspiração e a expiração e o que é verdadeiro em nossa vida fisiológica é também verdadeiro em nossa vida psicológica.

Tornar-se adulto é passar da idade dos contrários para a idade do complementar, para um outro modo de olhar as coisas. Se alguém diz algo contrário ao que penso e sou capaz de entender esse contrário como complementar, vou crescer em consciência e em compreensão. Se em vez de rejeitar ou negar alguns elementos de minha vida obscura, sou capaz de acolhê-los, torna-me-ei mais inteiro.

A sombra é o que dá relevo à luz.

Quando amamos alguém, um dos sinais de amor verdadeiro é que amamos os seus defeitos. É fácil amar os defeitos de nossos filhos. É difícil amar os defeitos dos adultos ou de nossos cônjuges.

Esse amor de que falamos não significa complacência, não é dizer ao outro que me agrada o que ele tem de desagradável, pois isso seria mentira e hipocrisia.

O amor de que falamos é dar ao outro o direito de ser diferente. É dar a ele o direito de experimentar sua liberdade. De experimentar em mim mesmo esta capacidade de amar o que é amável e de amar, também, o que não é amável. Dessa maneira passaremos, de uma vida submissa para uma vida escolhida.

Nossa vida vale pelo olhar que é posto nela. Os olhares de juiz nos enchem de culpa. Há olhares benevolentes, misericordiosos e ao mesmo tempo, justos. Precisamos desses olhares porque todos nós temos necessidade de verdade e de sermos amados. Por vezes, os olhares que encontramos são muito amorosos, muito doces, mas falta a eles a exigência desta verdade.

Outras vezes, os olhares que se colocam sobre nós são plenos de verdade e justiça, mas falta a eles a misericórdia e o amor.

Há um olhar integral do qual temos necessidade a fim de nos vermos tal e qual somos. Porque a verdade sem amor é inquisição e o amor sem verdade é permissividade.

Estas são reflexões gerais e cada um pode entrar em particularidades que lhes são próprias, sentindo se existe em sua vida alguém que pode suportar sua sombra sem julgá-la, apesar de não se mostrar complacente com ela.

Creio que todos nós temos a necessidade, pelo menos uma vez em nossas vidas, de um tal olhar pousado sobre nós.

Nesse momento não teremos mais necessidade de mentir, de nos iludirmos, de usarmos máscaras.

Podemos mostrar nossa verdadeira face, nosso verdadeiro corpo, com seus desejos e seus medos.

Podemos mostrar nossa verdadeira inteligência com seus conhecimentos e suas ignorâncias.

Mostrar-se com o coração verdadeiro, capaz de muita ternura e também capaz de dureza e indiferença.

Mostrar-se como não-perfeito, mas aperfeiçoável.

Sob este olhar nossa vida pode crescer. Porque o olhar que nos julga e nos aprisiona em uma imagem faz-nos ficar parados, enquanto que o outro olhar nos impulsiona a dar um passo adiante desta imagem que os outros têm de nós."

Autor: Jean Yves Leloup em "Além da Luz e da Sombra"
Disponível em: http://ventosdepaz.blogspot.com.br/2013/04/o-olhar-integral-jean-yves-leloup.html

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Vitória da Vida

Meus irmãos:

Sou eu que volta sob a proteção da Divina Misericórdia.

A vida triunfa sobre a morte, e, há 40 dias desde o momento final no corpo, o amor incondicional do Pai prossegue socorrendo-me de modo que neste momento eu possa dizer com o coração túmido de saudade mas com o Espírito exultante: estou vivo!

Tenho orado com fervor aguardando este momento de reencontro para agradecer a Deus a felicidade incomparável da longa existência aureolada de bênçãos que reconheço não merecer.

Nossa Benfeitora trouxe-me hoje, às vésperas do encerramento do ano, para agradecer tudo quanto recebi durante a existência e, particularmente, nos dois últimos anos de impedimento e de limitação.

De alma ajoelhada agradeço o devotamento, o respeito, o carinho de que fui objeto, mais especialmente a vigília dos filhos, de Gerulina, das cuidadoras e a paciência dos irmãos da Casa Grande, que não se enfastiaram com o meu demorado processo de libertação.

Agradeço as homenagens que me foram oferecidas, as condolências, as lembranças, todo este colar de bondosas referências que não condizem com a minha existência humilde, sempre em plano secundário, de trabalhador braçal que sempre me considerei...

Desejo registrar as emoções profundas, falar das alegrias incontáveis do reencontro com os seres queridos, alguns dos quais de saudosas recordações.

Agradeço a todos que não me atrevo a nomear, que usaram de misericórdia para com o velho amigo causador de problemas... Que me perdoem os erros que não pude superar, as imperfeições que não consegui corrigir e a pequenez que não pude transformar em grandeza moral.

Comovo-me com as saudades daqueles que me amam e suplico que sejam felizes.

Suplico a Deus que transforme nossa Casa de amor num santuário de misericórdia, porque tudo passa mas o amor permanece.

Ninguém nunca se arrependerá por ter agido com misericórdia, compaixão e amor.

Que o nosso ninho de esperança permaneça como o lar dos que não têm abrigo, a estância, última que seja, para o repouso, na certeza de que, aqui entre nós de ambos os lados, Jesus estará de braços abertos dizendo com suavidade: Vem, meu filho, este lar é teu!

Perdoem-me as emoções. É a primeira experiência. Embora preparando-me para este momento, a mente desatrela o corcel das lembranças, das saudades, da gratidão...

Eu suplico que as preces continuem envolvendo-me para que eu possa corresponder às expectativas dos corações que me amam.

Paz e misericórdia, gratidão profunda e súplica em favor de todos os que sofrem.

O velho companheiro agradecido,

Nilson

(Mensagem psicofônica pelo médium Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica do Centro Espírita Caminho da Redenção, na noite de 30 de dezembro de 2013, em Salvador, Bahia.)

domingo, 15 de dezembro de 2013

Homenagem a Mandela



“Tende paz entre vós.” – Paulo
(I Tessalonicenses, 5:13)